Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!

Aqui, onde os sonhos possuem as madrugadas e seguem em frente no arrepio do destino destes poemas de amor. Fica comigo, porque estou contigo poemando-te. Se por acaso eu não estiver, sabe que sempre estou e te estou. Sou uma vertigem no-em-ti.

Quarta-feira, Maio 13, 2009

jeito

há um jeito de dizer as coisas
um jeito de embutir nas palavras
as palavras que não precisamos dizer
(doces e definitivas nelas embarco)
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

remudancemos a vida

Por vezes nada custa introduzir um pouco de suave ironia nas coisas do amor. Assim:

andam gentes frenéticas em seu carros mudançando
na crença errada de que as mudanças são dos carros
mas apenas tu e eu sabemos
que as mudanças são coisas damor
com a primeira lábioamonos
com a segunda descemonos
com a terceira aceleramonos
com as outras velocidades
que sempre são muitas nas ternas coisas do amorar
eternizamonos com a alma no horizonte
tudo sem travessão tudo sem perímetro

vamos remudancemos a vida em seu jeito docefluvial
embraiemos como os barcos fazem às velas
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

BOBs

Este blogue foi hoje registado no BOBs, como podeis verificar no lado direito.
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Sábado, Novembro 15, 2008

sentado à entrada da tua alma

(para a mulher das massalas pequeninas)


quando as horas desfilam em seu jeito
de âncoras das coisas imutáveis

(tacteando a folhagem dos instantes
roçando a polpa dos devires
ciumentas que são da mudança)

tenho por costume perguntar
às capulanas de cada noite
em seus doces requebros
onde puseram elas aquela silhueta
que tinha por hábito fazer-se sonho
e por essa via te produzia inteira e desnuda
lá onde eu escrevia o destino
sentado à entrada da tua alma
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Terça-feira, Agosto 05, 2008

o voo das rolas

sabes que o voo das rolas
é um protesto do horizonte
contra a teimosia das savanas
em serem mera planície?
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

nasce acabando

no mais modesto gesto dos instantes
naquele com que ancoro a tua ausência
tatuo a consciência plena e serena
de que tudo afinal nasce acabando
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Quinta-feira, Julho 24, 2008

savano-me

savano-me para que me saibas lonjura
oceano-me para que me saibas em cada onda
doisponto-me para que me saibas parágrafo
virgulo-me para que me saibas sem ponto final

por isso hoje inventei o três:
o um para ti
o dois para mim
o três tu-eu para o futuro
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço

Domingo, Julho 13, 2008

esculpi o limbo da vida

malandro os sentidos
para que se esqueçam da razão
no exacto momento em que tu
silhueta dos instantes
passas entre vertigem e futuro

(esculpi o limbo da vida
por saber que a ti chegarei)
Desenho ao longe o último alento da fogueira e deito docemente o rio no teu regaço